Homem leva choque da polícia, cai de prédio e morre

Um homem nu e aparentemente perturbado emocionalmente caiu de um edifício em Brooklyn na quarta-feira e morreu, depois de ser atingido pelo disparo de uma arma de choque brandida por um policial, informou a polícia. Policiais e testemunhas dizem que o homem estava gritando para os transeuntes e brandindo uma lâmpada fluorescente contra os policiais antes de cair.

O homem, identificado pela polícia como Inman Morales, 35 anos, foi conduzido ao Centro Hospitalar do Kings Country com trauma sério na cabeça depois de uma queda de cerca de três metros, disseram testemunhas. Ele morreu no hospital, algum tempo mais tarde, segundo dirigentes da instituição.

A morte de Morales, na quarta-feira, representa um novo episódio no controvertido histórico do uso de armas de choque pela polícia da cidade. Embora o comissário de polícia Raymond Keely até recentemente expressasse cautela quanto ao uso desse tipo de arma pelos policiais de Nova York, ele recentemente se declarou aberto a um uso mais amplo das armas, depois que um estudo encomendado pela prefeitura sobre os hábitos dos policiais quanto a uso de armas forçou o departamento a empregar mais as armas de choque, de preferência ao uso de armas letais.

Um vídeo gravado por uma testemunha e exibido no site do jornal New York Post mostra Morales nu em um parapeito do lado de fora do edifício, acenando com a lâmpada de forma ameaçadora diante dos policiais, enquanto transeuntes respondiam com gritos, criando uma trilha sonora assustadora para o que viria a acontecer logo em seguida.

“Ele caiu como se já estivesse morto”, diz uma das testemunhas, Charlene Gordon, administradora do edifício de tijolos de quatro andares no qual Morales alugava um apartamento de terceiro andar.

Gordon disse que outra inquilina do edifício, que fica na avenida Tomkins, em Bedford-Stuyvesant, contou a ela ter ouvido Morales gritar em seu apartamento, e que em seguida o viu no corredor, agindo de maneira estranha. Charlene conversou com a mãe de Morales durante o impasse entre ele e a polícia, e a mãe contou que não via o filho há dois dias. Ela também disse que Morales havia parado de tomar seus remédios, segundo Gordon.

A mãe de Morales foi até o edifício, onde encontrou seu filho descontrolado, dizem testemunhas. Por volta das 15h, ela decidiu ligar para o telefone de emergências.

Policiais da Unidade de Serviço de Emergência que chegaram ao edifício logo tiveram de perseguir Morales por seu apartamento; ele saiu pela janela, e tomou uma escada de incêndio. A essa altura, já havia arrancado uma lâmpada florescente de uma luminária de teto e a estava usando como arma contra os policiais que o perseguiam, afirma a polícia.

Ele em seguida saltou da escada de incêndio para o estreito beiral que serve de estrutura para um portão de segurança na loja instalada no piso térreo do edifício, segundo a polícia. Morales voltou a ameaçar os policiais com a longa lâmpada, atingindo um deles na cabeça, segundo a polícia.

“Ele estava nu e não parava de gritar”, disse Joseph Adrien, que trabalha em uma lavanderia nas redondezas. Outra testemunha diz que a mãe de Morales foi impedida de se aproximar, e que ela estava apelando aos policiais que permitissem sua aproximação, para acalmar o filho; os policiais, no entanto, responderam por diversas vezes que a situação se havia tornado caso de polícia.

Por cerca de 30 minutos, Morales continuou gritando que não desejava que ninguém o tocasse, e a polícia respondeu com outros gritos de que desejava que ele descesse, informaram as testemunhas. Depois, um policial se aproximou do homem postado no beiral e disparou contra ele com a arma de choque.

Charlene contou que Morales vivia no edifício há cerca de três anos, e o descreveu como asseado e silencioso. Morales costumava trabalhar para uma companhia do setor financeiro, mas recente estava recebendo subsídios públicos para cobrir seu aluguel.

Ativistas comunitários convocaram uma entrevista, depois da morte de Morales, com o objetivo de apelar aos vizinhos que não reagissem de maneira agressiva à ação dos policiais, mas ao mesmo tempo pedindo que as autoridades investiguem o que exatamente aconteceu durante o incidente.

Peter Vallone, o vereador que preside o Comitê de Segurança Pública no Legislativo municipal de Nova York, disse em entrevista que a situação poderia ter sido conduzida com mais cuidado pela polícia.

“Minha primeira impressão é que tenho certeza de que não existem especialistas em como lidar com um homem louco e nu que usa uma lâmpada como arma enquanto se refugia em um beiral, mas de qualquer maneira não acredito que a forma pela qual os policiais trataram o incidente tenha sido a correta”, afirmou Vallone na noite de quarta-feira.

“Uma situação como essa dificilmente poderia ter terminado bem”, afirmou o vereador depois de assistir ao vídeo do incidente. “A coisa mais importante é que nenhum policial ou transeunte inocente saiu ferido. Mas é evidente que a situação poderia ter sido conduzida de maneira melhor.”

Vallone declarou que talvez se torne necessária uma audiência pública sobre o emprego de armas de choque pelo departamento de polícia, a fim de estabelecer diretrizes mais ponderadas quanto ao seu uso.



[Post to Twitter] Tweet This Post 

About the Author